Diante
dos novos desafios do século XXI à vida coletiva nas sociedades democráticas,
alternativas de compreensão e prática da democracia e da cidadania são
experimentadas, com a busca de maior participação dos cidadãos nos processos de
tomada de decisão, com vistas a reduzir o peso da desigualdade social e a
ampliar as liberdades. Simultaneamente, novas dimensões dos direitos de
cidadania têm sido reconhecidas, com novos modos de participação política para sua
realização.
Nas
atuais condições do mundo globalizado, e das sociedades cada vez mais plurais,
a legitimidade das decisões do Estado não pode mais ser garantida apenas pelo
voto, é preciso que o Estado atenda aos direitos da população.
É
necessário, então, que sejam criados espaços e meios para que os cidadãos tenham
voz mais ativa no próprio processo político de tomada de decisões, ou seja, que
os cidadãos possam participar da deliberação pública para a concretização dos
projetos nacionais. Assim, é preciso reconhecer a necessidade de um “lugar”
para o exercício da cidadania
deliberativa.
A pluralização de identidades e estilos
de vida anexada à crescente individualização consumista. Ou seja, as pessoas
têm a possibilidade de escolher entre inúmeras formas e estilos de vida e
comportamento, religião, educação, emprego, esportes, etc.
O desejo crescente de maior influência
dos indivíduos no processo de tomada de decisões políticas, ou, no mínimo o
desejo de serem ouvidas as demandas democráticas dos novos grupos culturais ou identitários.
Simultaneamente
à busca do reconhecimento público desses estilos de vida, cresce o desafio da
deliberação cidadã.
Em que consiste a deliberação cidadã?
Trata-se de participar em debates públicos
(formais ou informais), com vistas a conseguir o reconhecimento público e legal
dos direitos das pessoas e grupos cujos estilos de vida, opção sexual, e/ou
identidade de gênero não são os praticados e aceitos pela maioria da sociedade;
Trata-se de participar em debates públicos
(formais ou informais), com vistas a defender os estilos de vida, tradições
religiosas e/ou culturais que são, aos olhos de seus praticantes, ameaçados
pelos novos estilos de vida minoritários na sociedade;
Trata-se, acima de tudo, porém, de participar
em debates públicos (formais ou informais) com a atenção dirigida primariamente
às necessidades e aos direitos de todos os sujeitos afetados pelas decisões a
serem tomadas e não só aos direitos pessoais ou particulares.
É preciso influenciar o governo e a sociedade
a tomar decisões efetivamente públicas e justas, ou seja, decisões que sejam
reconhecidas como legítimas mesmo por aqueles que não forem beneficiados pelas
mesmas.
A
esfera pública é, assim, um meio de influenciar o Estado a tomar
decisões que sejam compatíveis com a opinião pública deliberativamente
construída.
Assim,
os participantes da esfera pública podem ser muito variados, por exemplo:
-
Movimentos sociais;
-
ONGs (Organizações Não-Governamentais);
-
Associações (de bairro, de moradores, de interesses);
-
Ordens Profissionais (e.g., OAB, CREA, Sindicatos);
-
Federações;
-
Confederações;
-
Igrejas; Religiões; etc.
Os espaços públicos podem ser informais
(conversas de bairro, sites na internet, reuniões locais, etc.) ou formais
(Conselhos público-privados; etc.).
As ações na esfera pública, por sua vez, podem
ser bastante variadas, por exemplo:
-
Cobrança efetiva do respeito aos direitos dos cidadãos;
-
Mobilização e articulação para solucionar problemas públicos;
-
Participação no processo legislativo especialmente quando se envolvem questões
éticas;
-
Exigência do cumprimento de leis, tanto por instituições privadas como pelo
Estado;
-
Formação permanente da cidadania;
-
Cumprimento de responsabilidades cívicas, das mais elementares (respeitar leis
do trânsito, etc.) às mais transformadoras (movimentos sociais, ONGs, etc.).
Fonte: Disciplina
Ética Pública – Graduação em
Teologia – Faculdade Unida de Vitória – Prof. Júlio Paulo Tavares Zabatiero –
Tutor Prof. David Mesquiati
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